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O perigo das pequenas bolhas

Festas de fim de ano podem ser grandes propagadoras do vírus

​​Apesar das incertezas, as famílias de todo o país já começaram os preparativos para o período de festas de fim ano. Dessa vez, além de pensar em cardápio, decoração, lista de compras e convidados, as comemorações de Natal e ano-novo vão exigir um planejamento muito mais complexo para que seja possível celebrar sem colocar em risco a saúde da família pela contaminação por Covid-19.

Mesmo que a flexibilização tenha acontecido, é necessário ainda seguir os protocolos de saúde – uso correto da máscara, higienização das mãos, distanciamento social e ambientes com boa circulação de ar. O retorno sem conscientização tem preocupado especialistas, por conta do número crescente de casos no país. A curva de contaminação voltou a subir e é preciso continuar tendo cautela e precaução.

Será seguro encontrar familiares e amigos nas festas de fim de ano?
Sabemos o quanto as pessoas estão com necessidade de estarem próximas umas das outras, principalmente aquelas que ainda continuam em isolamento, mas ainda não é o momento. Segundo profissionais da saúde, as pequenas aglomerações precisam ser evitadas para ajudar no controle da Covid-19. A orientação dos profissionais é continuar com o cumprimento das medidas de prevenção da OMS e não aglomerar.

A Dra. Sumire Sakabe, infectologista do Hospital 9 de Julho, alerta que o novo coronavírus continua circulando e a Covid-19 ainda está tirando vidas, por isso as festas terão que ser diferentes. "Neste fim de ano, os desejos de paz e a vontade de estar com as pessoas que nos são caras devem surgir redobrados pelas privações que passamos, pelo confinamento em que ficamos", diz. E reforça: "Mas o vírus está à solta. Relaxar agora, porque é dia de festa, traz o risco de adoecermos e deixarmos adoecer justamente aqueles que mais amamos. É preciso encontrar um jeito de celebrar de forma segura para que a alegria do Natal e do ano-novo não venha a acabar uma semana depois.".

A especialista destaca que o brasileiro normalmente se comporta de forma muito afetuosa, e, em festas, as pessoas trocam beijos, abraços, comem juntas, cantam e brindam. E esse é justamente o comportamento que faz o vírus sair de uma pessoa infectada, sintomática ou não, e infectar o próximo.

O que são as chamadas pequenas bolhas?
As pequenas bolhas são pequenos grupos de amigos ou familiares que se encontram, muitas vezes, sem máscara ou sem realizar o distanciamento social. Por não seguirem à risca essas medidas preventivas, acabam se contaminando. Eles acreditam que, por se conhecerem e não estarem apresentando sintomas naquele momento, não vão contrair ou transmitir o vírus. Mas é aí que mora o perigo. Caso um deles esteja assintomático, vai passar para as outras pessoas com quem teve contato.

Entenda por que é perigoso encontrar amigos e familiares nesse momento
Como o vírus ainda está em circulação e as pessoas estão sendo infectadas, reduzir as medidas de prevenção pode ocasionar aumento do contágio entre as pessoas. Sendo assim, não aglomerar e não encontrar esses pequenos grupos ajuda a reduzir as possibilidades de transmissão. Ainda não é hora de relaxar com os cuidados. Essa é a melhor maneira de cuidar da saúde, dos seus familiares e dos seus amigos.

Para quem pesou o risco e o benefício e vai promover um encontro no final do ano, é importante pensar em estratégias para diminuir os perigos e permitir que pequenos grupos consigam se encontrar para festejar juntos de forma menos arriscada.

A pandemia não acabou: reforce os cuidados
"Primeiro, é preciso evitar aglomerações de qualquer natureza. Se optar por encontros, que sejam em grupos pequenos e sejam breves", aconselha a Dra. Sumire. Quanto mais tempo uma pessoa infectada pelo vírus passa em companhia de outras, maior o perigo de contaminação.

Outra forma de comemorar é combinar com todos os convidados uma quarentena de duas semanas. "Manter-se em casa por 14 dias, sem sair ou encontrar outras pessoas, permite que, no fim deste período, você encontre seus queridos (que também fizeram o mesmo) com muito mais segurança", explica.

A infectologista lembra que compartilhar refeições é um momento de alto risco para a contaminação, já que é preciso retirar as máscaras. Por isso, na hora da ceia, é indicado que se mantenha distância ainda maior dos demais. Vale utilizar a mesa para acomodar os alimentos e uma decoração caprichada e distribuir os convidados pelo cômodo para que cada um coma com mais espaço, deixando o ambiente bem arejado.

"Cada um deve entender o seu risco e o das pessoas envolvidas. Está claro que idosos, obesos, diabéticos e hipertensos têm risco aumentado de cursar com Covid-19 grave. Isso não significa que pessoas fora desse grupo não ficam graves", complementa a infectologista. "Não vamos nos esquecer de que, neste Natal, as famílias de mais de 170 mil brasileiros estarão ainda vivendo o luto trazido pela Covid-19 e que os profissionais de saúde estarão ainda às voltas com pacientes intubados, graves, com falta de ar e tendo que usar equipamentos de proteção individual durante todo o tempo." Lembre- se: cuide de quem você gosta com atitudes seguras.


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